Cheguei. Perguntei se aceitava crédito. O garçom me olhou com uma cara de desprezo e disse: "está escrito ali, não enxerga? "Fingi que estava errado por perguntar. Sentei . Meus amigos disseram: “não te perturba isso? Eu tou me sentindo humilhado.” Preferi deixar passar em branco. Mas, no fundo, eu sentia pena.
Demoramos de pedir. Pareciam incomodados com nossa presença. Como se fossemos um estorvo por escolher aquele lugar pra conversar. Ainda assim permaneci. Não sabia o que aquele rapaz passava em sua vida, mas percebi que não estava ali por que queria.
Gosto de tratar todos bem, não por obrigação, nem para ganhar dinheiro. Não sou cruel. Na hora de levantar, recebi réplicas por querer pagar a gorjeta. Terminei não pagando: “Não vou gastar um centavo com esse cara”, pensei. A moça do caixa riu de minha atitude. Ela não sabia, mas eu tinha motivos.
Fui embora, orgulhoso por fora, remoído por dentro. Não acreditava em revanche, vingança. Não tinha o direito de julgar ninguém, embora o tivesse feito de forma tão superficial, e, barata. Mas, me sentia estranho por não me adaptar, por não querer devolver com a mesma moeda, por não compartilhar do mesmo sentimento de vingança. Poderia apenas ter dado cinqüenta centavos ao cara, ir embora e nunca mais voltar lá. Não queria ser fraco e terminei sendo, de uma forma infinitamente pior.
Eu estava me encontrando.
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