"Força e pudor, liberdade ao povo do Pelô." Foi essa a frase que compartilhei essa semana nas minhas redes sociais. A frase vem de uma música antiga, mas forte. Lançada pelo Olodum no meado dos anos 90, se entitula "PROTESTO DO OLODUM". A canção, como o próprio nome sugere, é sobre protesto. Um Protesto em favor dos excluídos, dos que, de fato, moram (e não só visitam) o Pelourinho, dos que sofrem e lutam pela sobrevivência. Um protesto que atinge a quem escuta e faz brotar de dentro um sentimento de revolta. Não nasci no Pelourinho e não passei por um terço do que muita gente passa quando se trata de preconceito, associado a questões raciais, financeiras e sociais. Mas, compartilho dessa luta. Quem sofre é meu irmão. Assim como quem vence, como quem é rico, pobre, preto, pardo, amarelo ou branco. Nesse momento estamos aqui: eu e você, um escrevendo, outro lendo. Outros estão lá, na rua, nos casarões, nas margens. Não consigo apenas conviver com isso, deixando passar em branco. Ainda mais, quando a grande maioria sofre não por culpa própria. Mas, graças a uma organização social que delimita oportunidades e manipula os menos favorecidos. Os protestos do Olodum são inúmeros, desde a decáda de 80 são trazidos à tona por bandas baianas que cantam em seus repertórios letras que desmascaram o lado mais pobre da cidade, de onde vem a mão-de-obra que segura as cordas pra brincarmos no carnaval, que "cata" nossos lixos e que nos auxilia fazendo o cafézinho no escritório ou dando duro nos serviços domésticos. Tais atividades vêm acompanhadas do famoso jargão: "Tá vendo? não quis estudar!". Mas a questão é mais complexa que um jargão superficial e maldoso. Não é tão simples quanto um "querer", no sentido de vontade própria. A questão se sustenta num sucinto sistema de exclusão, com base na manutenção da dualidade rico X pobre e todas as suas devidas implicações, inclusive o silenciamento das músicas de protesto. Não se canta mais sobre a pobreza, sobre o Pelourinho. Se canta sobre alegria, sobre buscar Dalila e ser Praieiro. Acho legal que cantemos sobre Dalilas, praias, verão. Mas, não acho justo silenciar os protestos. Silenciar os inocentes.
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